A devoção

Abril 1, 2008

Alonso era um homem pacato e muito caseiro. Era considerado pelos amigos da repartição, um autêntico “Barriga Branca”. Depois que casou, nunca mais saiu só. Estava sempre na companhia da esposa Ana Clara.

Ele e a família toda, eram católicos fervorosos, que tinham cadeira cativa na fila da frente na Igreja de São Procópio.
Alonso não faltava um domingo e, sempre que podia, assistia à missa das quartas-feiras à noite. Todos os freqüentadores da igreja já o conheciam e o padre Anastácio tinha por ele a maior admiração, assim como aos seus familiares.

Certo dia, quando Alonso, inclusive fez a leitura litúrgica, o bom homem e sua esposa foram chamados à sacristia e convidados pelo padre Anastácio a tomar o café da manhã em sua companhia, ao que prontamente aceitaram, sentindo-se muito honrados, afinal não era qualquer um que tinha o privilégio de tomar café com o padre, um crioulo de um metro e oitenta, corpo atlético, natural da Bahia.

Durante a refeição, onde estavam servidas iguarias da cozinha nordestina como beiju de tapioca , cuscuz de milho e de arroz, bolo de tapioca, pão de milho, café torrado em casa com erva-doce, carne de sol, paçoca, leite de vaca puro, manteiga de garrafa, aipim cozido e outras, o sacerdote, que além de bom de garfo era muito delicado, um verdadeiro gentleman, fez um convite a Dona Ana Clara, uma morena de boa estatura e bem roliça, de pela macia e rosto rosado, lábios carnudos e sensuais, cintura fina destacando os quadris de bom tamanho e bumbum que bamboleava provocante quando ela andava, para ser a coordenadora da Comissão de Senhoras Filhas da Virgem.

O convite foi aceito prontamente com a anuência de Alonso, que se sentiu muito honrado com o convite à sua esposa. Ana Clara assumiu o comando da comissão e logo passou a mostrar trabalho, desenvolvendo ações sociais na comunidade, onde ela e o esposo eram muito conceituados.

Alonso se enchia de júbilo, todas as vezes que o padre Anastácio elogiava o trabalho desenvolvido por Dona Ana Clara. Tudo ia bem. Às mil maravilhas. Toda quinta-feira, a comissão se reunia para debater as ações e traçar planos. No final, a coordenadora permanecia na igreja para prestar contas ao padre Anastácio, o que geralmente durava até às 23 horas.
Pacientemente Alonso ficava sentado à porta da moradia à espera da amada, visto que a Igreja de São Procópio, ficava a apenas dois quarteirões. Assim acontecia todas as quintas-feiras e Alonso não se preocupava com a vigília, já que sua esposa estava fazendo uma boa ação, a serviço do Senhor.

Certo dia, porém, aconteceu um apagão inesperado e todo bairro ficou às escuras. Isto preocupou Alonso, que temendo pela segurança da esposa Ana Clara, muniu-se de uma potente lanterna e se dirigiu à igreja. Ali encontrou a porta somente encostada e entrou, com o propósito de ir até à sacristia, mas errou a porta e foi parar nos aposentos do padre Anastácio. Quando acendeu a lanterna, deparou com um quadro inusitado. O sacerdote e sua esposa Ana Clara estavam completamente despidos sobre a cama.

Alonso baixou a cabeça e voltou para casa, onde passou a noite em claro, aguardando sua Ana Clara, para cobrar-lhe explicações. Porém, ela não retornou e pela manhã, também o padre Anastácio não mais foi encontrado. Os dois haviam fugido.
Alonso hoje anda cabisbaixo e nunca mais entrou na igreja. A molecada do bairro comenta que Alonso deixou a Igreja de São Procópio para ser devoto de São Cornélio.


Bebendo com o Diabo

Março 20, 2008

Praxedes não se considerava um alcoólatra, mas sempre nos finais de semana, sentia falta de uma cervejinha bem gelada. Quando tinha algum no bolso, não deixava de tomar suas quatro “lourinhas”, tirando gosto com torresmos, na quitanda de João Falador, na Rua do Fuxico.
Um certo sábado, Praxedes estava com muito mais vontade de beber cervejas, que nos outros fins de semana, mas não tinha nenhum centavo no bolso, e não tinha o hábito de beber fiado,embora fosse muito amigo do quitandeiro. Foi até à porta de sua casa e ficou olhando para o estabelecimento comercial, onde alguns amigos estavam bebericando e jogando conversa fora.Chateado por não ter dinheiro para beber, Praxedes resmungou:

- Hoje eu beberia uma cerveja, nem que fosse com o Diabo.

Maria Rosa, sua esposa, estava à máquina de costura e falou:

-  Tá doido homem.Não fala uma besteira dessa. Ele é capaz de aparecer pra ti.

- Aparece, nada. Retrucou Praxedes, que continuava com os olhos fixos na quitanda de João Falador e naquele momento viu chegando ali um homem alto, branco, que trajava calça e camisa de linho branco, levando um chapéu preto de feltro na cabeça. Parecia um homem muito elegante e educado, que cumprimentou e apertou as mãos de todos.
A atitude do desconhecido chamou a atenção de Praxedes, que com a curiosidade aguçada, foi até à quitanda, ficando em pé na soleira da porta. O desconhecido, um homem muito branco de rosto rosado, com  olhos muito azuis, estava sentado em um tamborete e tomando cerveja. Era conversador e tratava a todos como se fossem seus velhos conhecidos.
Em dado momento se dirigiu a Praxedes e perguntou:

- O amigo não gostaria de tomar uma cerveja?

- É, siô, até que seria muito bom, respondeu Praxedes.

- Bote uma geladinha pro moço, disse o desconhecido se dirigindo ao quitandeiro.

Praxedes foi servido de uma, duas três e muitas, sempre a mando do desconhecido. Já alta madrugada, os demais freqüentadores da quitanda já havia enchido a cara e ido embora. João Falador, já doido de sono, cochilava com a cabeça apoiada no balcão, e então o desconhecido se dirigiu a Praxedes:

- Você sabe quem sou eu ?

- Sei. O senhor é uma pessoa muito boa, que me obsequiou com cervejas. Uma pessoa muito boa. Disse Praxedes, já bem cambaleante.

- Estás enganado. Eu sou o Diabo. Retrucou o desconhecido, tirando o chapéu da cabeça, deixando à mostra um reluzente par de chifres bastante negros.

Praxedes  olhou firmemente para os chifres que se sobressaiam entre os cabelos muito louros do desconhecido, e retrucou muito decidido:

- Que Diabo, nada. O senhor é marido destas mulheres que vão ao  Paraguai fazer compras.

O desconhecido soltou uma estridente gargalhada e desapareceu, deixando a quitanda de João Falador envolta em uma densa nuvem de fumaça  com forte odor de enxofre.

Obs.: Esta crônica teve origem em uma piada que me foi contada pelo amigo Manézinho do Rádio, nos bons templos da Rádio Timbira.


O DEVOTO

Novembro 12, 2007

Apolinário  era um homem muito brincalhão. Gostava de fazer gozação com os amigos e, habitualmente, botava apelido em todos. Em virtude de ser negro daquele que se costumava dizer “ritinto”, pelo fato de ter sua negritude bem acentuada e por isso mesmo, Zeca Roela, o chamava, ironicamente, de “Alvaiade”,  substância muito branca, ao contrário da cor da pele do Apolinário.

Além de gozador, “Alvaiade” gostava muito de brincar na noite. Era do tipo notívago contumaz. Bandalho todo. Da “pá virada”. Quando tirava pra “brincar”, adentrava pela madrugada, porém nunca aos domingos. Este dia era sagrado. Era para ir à missa com a patroa que não abria mão deste costume.

Num sábado “Alvaiade” saiu de casa logo cedo, dizendo para dona Maria do Carmo, sua esposa, de que iria visitar um amigo, que igual a ele, já estava aposentado, e que estava doente. Assim fez, mas foi esbarrar na Praia Grande e caiu na gandaia. Primeiramente tomou umas cervejas no cabaré da Faustina e depois caiu na roda do tambor de crioula, até às primeiras horas da madrugada.

Já bastante alto de misturar cerveja e cachaça temperada com cravinho, saiu em direção ao Terminal de Transporte Urbano, mas ao atravessar a pista da avenida, ouviu um som de seresta que vinha do Bar Canal. O conjunto executava boleros. “Alvaiade”, que era “pé de valsa”, não pensou duas vezes. Se dirigiu para lá e deparou com uma crioula alta de bunda arrebitada, dentro de uma saia estoque bem apertada e de blusa imaculadamente branca. Aquela figura o fez lembrar das noitadas memoráveis que viveu no cabaré da Ziloca, e convidou a moça para dançar.

O cantor  caprichou no bolero “En la orillla de mar”, tentando imitar Bienvenido Granda. Alvaiade foi atacado de profunda nostalgia e caprichou nos breques, sendo acompanhado, com maestria, pela crioula, que marcava bem e estava muito perfumada. O casal dançou horas seguidas até que o cantor anunciou a saideira. Neste momento “Alvaiade” se deu conta de que já eram cinco horas da madrugada, e lembrou que às  seis horas deveria estar saindo de casa com a patroa para assistirem à missa de domingo, na igreja da Cohab.

Nessa hora, temendo a “esculhambação” que pegaria, caso não estivesse em casa, no ponto,.na hora de costume, Alvaiade despediu-se da crioula e correu para o lado de fora do bar, pegando o carro do taxista conhecido como “Waldick Soriano”, e pediu que o levasse para casa, o mais rápido possível. Waldick ainda cantou umas pérolas do cantor que imitava muito bem, mas Alvaiade não estava nem ouvindo. Queria chegar logo em casa. Ali chegando, abriu a porta da forma mais silenciosa possível, e se dirigiu para o quarto, onde Dona Maria do Carmo dormia plácidamente, dentro de uma camisola lilás.
“Alvaiade” pensou em deitar-se sorrateiramente, para que ela pensasse que ele havia passado a noite ali, mas no momento em que sentou-se à cama para tirar os sapatos, Dona do Carmo acordou, e foi logo gritando:

- “Isto são horas, canalha, de você chegar em casa” ?

- “Nada disso, meu amor. Já acordei a tempo, e estou acabando de me aprontar para irmos à igreja. Você sabe que não perco uma missa, pois sou devoto de São Benedito”, retrucou “Alvaiade”.

Dona do Carmo acreditou e os dois foram felizes para o ofício religioso dominical.


Essas mulheres…

Outubro 19, 2007

Era sábado. Tarde de sol forte lançando sua luz dourada sobre os telhados, refletindo nos azulejos das fachadas dos velhos sobradões do Centro Histórico  de São Luís do Maranhão. Fazia calor, criando um ambiente propício para o deguste de uma boa “loura suada”.

O delegado Pafúncio não resistiu. Deixou o carro em casa e de ônibus foi para a praia Grande. Entrou na feira, mas já ali haviam muitos bêbados falando alto. O barulho fez com que o velho delegado saísse dali. Atravessou a praça Nauro Machado e subiu as escadarias, seguindo pelo beco da Pacotilha, em direção ao Largo do Carmo.

Ao se aproximar do cruzamento com a rua da Palma, ouviu o som de uma música. Na esquina havia um bar. Era dali que vinha o som de um órgão e a voz de um cantor. Era o Stênio Johnny que cantava uma balada em inglês, tipo anos 70.

O delegado Pafúncio não resistiu. Entrou, e para não chamar a atenção, se dirigiu, discretamente, para os fundos do prédio. Ali encontrou um pequeno quintal onde havia uma goiabeira. As escassas lufadas de vento balançavam, brandamente, as folhas que pareciam dançar ao som da voz do Stênio. Pafúncio pediu uma cerveja e foi servido, prontamente, pela garçonete.

Ficou ali ouvindo e bebendo. Até que em dado momento, surgiu à sua frente uma mulher morena de cabelos muito negros, lisos e longos, emoldurando um rosto bonito, ornando por um alvo sorriso. Era uma mulher magra, mas de corpo bem delineado. Uma jovem de aproximadamente 30 anos, muito bonita. Trajava um vestido estampado, de saias largas, escondendo um bumbum bem feito e sensual.
Ela pediu para sentar à mesa do delegado e se apresentou como Concita. Estava embriagada mas, conseguia  articular as palavras e conversava muito bem. Pediu para beber, mas o delegado Pafúncio, vendo o seu elevado estado etílico, convenceu-a a beber refrigerantes. Concita não ofereceu resistência e lhe foi servida uma Coca-cola bem gelada.

Os dois conversaram sobre o momento político do estado e na nação e outros assuntos.
Stênio Johnny fez uma seqüência de velhos boleros e o delegado Pafúncio foi convidado, pela sua acompanhante, para dançar. Concita dançava bem e colava seu corpo ao do velho delegado, que logo ficou animado. O corpo quente, os cabelos perfumados e a dança sensual daquela mulher, fizeram-lhe aflorar o libido. Pafúncio pensou que ia se dar bem.

O casal voltou à mesa e, muito tagarela, Concita perguntou-lhe sobre o estado civil, tendo Pafúncio afirmado-lhe ser casado. Em tom solene, a mulher o encarou e fitando-lhe com olhos castanhos penetrantes, disse-lhe:

- “Vá pra casa. Vá ficar junto da sua mulher que lhe está esperando. De que adianta ficar comigo? Sou uma prostituta. Sou apenas uma buceta. Sua mulher não merece ser traída”.

Ato contínuo, Concita levantou-se e meio cambaleante, saiu, desaparecendo  nas ladeiras que acessam à praia Grande. Aquelas palavras ficaram martelando na cabeça do delegado Pafúncio, que teve uma crise de consciência. Um grande sentimento de culpa. Pagou a despesa, levantou-se e foi para casa. Se dirigiu à cozinha, onde Dona Marieta, sua mulher, fazia um bolo e deu-lhe um beijo na cabeça. Ela perguntou-lhe, carinhosamente:

- “Onde estavas, meu velho” ?

- “Ali no boteco do Zé, tomando uma cervejinha”, respondeu.

Pafúncio tomou um longo banho, vestiu um pijama de seda azul cobalto e foi assistir televisão. Dona Marieta o chamou para o jantar. Depois da refeição voltou à sala e ficou assistindo o jornal televisivo. Deu a hora de deitar. Refastelou-se na macia cama e ficou observando, cheio de pensamentos pecaminosos, Dona Marieta, que já trajando uma transparente camisola cor de rosa, rezava o terço.
Findada a oração, Marieta deitou-se. Pafúncio  se chegou para bem próximo e apalpou-lhe a peluda genitália, convidando-a para o sexo. Marieta deu-lhe uma palmada na mão saliente e disse-lhe:

- Te sossega. Já estou velha para isso. Vai procurar mulher na rua.

Pafúncio virou-se e  resmungou:

- “Entenda as mulheres”.

Dormiu, maldizendo as palavras de Concita.


O COMILÃO

Outubro 5, 2007

O delegado Pafúncio nunca foi um homem do tipo “barriga branca”, mas muito cauteloso nas suas incursões pelo mundo da infidelidade. Não tinha muita habilidade como adúltero. Todas as vezes em que se envolvia com alguma relação extra-conjugal, Dona Marieta, sua esposa, logo ficava sabendo que tinha alguém na sua vida. É que ele mudava de comportamento. Dava bandeira.

Certa ocasião, foi transferida para sua delegacia uma escrivã muito bonita, sensual. Tinha boa altura e pernas bem torneadas com coxas grossas e um bumbum avantajado, durinho e arrebitado. Era uma mulata do tipo exportação e também muito provocante, que logo passou a investir pra cima do delegado.

Tinha um andar bamboleante e quando notava que estava sendo observada pelo delegado Pafúncio, aí mesmo era que balançava o rabo. O delegado ficava embasbacado, olhando aquele monumento de mulher que estava dando mole para ele. Certa ocasião, a escrivã Maria foi trabalhar com um vestido bem colado, que mais parecia um tipiti, e com um decote muito extravagante.

Abusada, ele foi levar um auto de prisão em flagrante para o delegado assinar e debruçou-se diante da autoridade, deixando os belos seios à mostra. Foi a gota d´água.
O doutor Pafúncio convidou a escrivã Maria para almoçar em sua companhia, ao que ela prontamente aquiesceu. Fim do expediente matutino, e lá foram os dois para o restaurante Porto Seguro, na beirada do Desterro, onde consumiram uma boa peixada. Daí então, saíram sucessivamente para almoçar, jantar e nas sextas-feiras se faziam presentes na sede do Maranhão Atlético, para dançar boleros nas tertúlias animadas pelo vozeirão do Walber.

Logo se tornaram amantes, e, todas as noites, o delegado Pafúncio, antes de ir para casa, dava uma passadinha no apartamento de Maria. Vez por outra dava uma “trepadinha” e ia embora. Em outras ocasiões, dizia para Dona Marieta que ia fazer uma diligência no interior e passava o fim de semana com a amada Maria.

Nesta convivência diária, alguns segredos foram liberados, entre e os quais, Pafúncio falou que não fazia amor com o estômago cheio. Envolvida, Maria queria Pafúncio só para ela, e então não o deixou sair mais, sem jantar. Todas as noites aprontava-lhe lautos jantares.

Empanturrava Pafúncio com as comidas que sabia que ele mais gostava.
Isto fez com que Pafúncio passasse a rejeitar a comida de casa, e todas as vezes que Marieta investia para dar uma “trepada”, Pafúncio a rejeitava, alegando estar sentindo-se mal, etc. A mulher passou a observá-lo melhor e notou que Pafúncio já chegava com a barriga cheia. Então, passou a exigir que o mesmo jantasse. Todo dia era uma confusão. E ele, então, passou a jantar também em casa.

A comida era tanta, nas duas casas, que o delegado Pafúncio foi engordando cada vez mais e logo passou a sentir tonturas e outros tipos de mal estar, o que o forçou a procurar um médico. Os exames acusaram pressão alta, colesterol também pelas alturas e até a glicemia estava alterada, sendo aconselhado pelo facultativo, a fazer dieta. Chegou no apartamento de Maria e falou do problema, mas esta não concordou com a dieta, e exigia que ele comesse, embora passasse a fazer comidas mais leves de gordura. Embora Pafúncio não quisesse comer, ela com seu jeitinho carinhoso e sorriso brejeiro, sempre o convencia a comer. Em casa, Dona Marieta também não abriu mão. Pafúncio tinha que comer sempre que chegava. Os índices de colesterol e glicemia não baixavam.

Um dia, o delegado Pafúncio desmaiou na delegacia e foi levado para o hospital. Passou três dias desacordado. Quando voltou a si, o médico disse-lhe que havia sofrido um enfarte e que tinha que fazer uma rigorosa dieta, caso contrário fatalmente iria morrer. Ao voltar ao trabalho, a primeira medida do delegado Pafúncio, foi passar a pronto a escrivã Maria e nunca mais pisou no seu apartamento.