Essas mulheres…

Outubro 19, 2007

Era sábado. Tarde de sol forte lançando sua luz dourada sobre os telhados, refletindo nos azulejos das fachadas dos velhos sobradões do Centro Histórico  de São Luís do Maranhão. Fazia calor, criando um ambiente propício para o deguste de uma boa “loura suada”.

O delegado Pafúncio não resistiu. Deixou o carro em casa e de ônibus foi para a praia Grande. Entrou na feira, mas já ali haviam muitos bêbados falando alto. O barulho fez com que o velho delegado saísse dali. Atravessou a praça Nauro Machado e subiu as escadarias, seguindo pelo beco da Pacotilha, em direção ao Largo do Carmo.

Ao se aproximar do cruzamento com a rua da Palma, ouviu o som de uma música. Na esquina havia um bar. Era dali que vinha o som de um órgão e a voz de um cantor. Era o Stênio Johnny que cantava uma balada em inglês, tipo anos 70.

O delegado Pafúncio não resistiu. Entrou, e para não chamar a atenção, se dirigiu, discretamente, para os fundos do prédio. Ali encontrou um pequeno quintal onde havia uma goiabeira. As escassas lufadas de vento balançavam, brandamente, as folhas que pareciam dançar ao som da voz do Stênio. Pafúncio pediu uma cerveja e foi servido, prontamente, pela garçonete.

Ficou ali ouvindo e bebendo. Até que em dado momento, surgiu à sua frente uma mulher morena de cabelos muito negros, lisos e longos, emoldurando um rosto bonito, ornando por um alvo sorriso. Era uma mulher magra, mas de corpo bem delineado. Uma jovem de aproximadamente 30 anos, muito bonita. Trajava um vestido estampado, de saias largas, escondendo um bumbum bem feito e sensual.
Ela pediu para sentar à mesa do delegado e se apresentou como Concita. Estava embriagada mas, conseguia  articular as palavras e conversava muito bem. Pediu para beber, mas o delegado Pafúncio, vendo o seu elevado estado etílico, convenceu-a a beber refrigerantes. Concita não ofereceu resistência e lhe foi servida uma Coca-cola bem gelada.

Os dois conversaram sobre o momento político do estado e na nação e outros assuntos.
Stênio Johnny fez uma seqüência de velhos boleros e o delegado Pafúncio foi convidado, pela sua acompanhante, para dançar. Concita dançava bem e colava seu corpo ao do velho delegado, que logo ficou animado. O corpo quente, os cabelos perfumados e a dança sensual daquela mulher, fizeram-lhe aflorar o libido. Pafúncio pensou que ia se dar bem.

O casal voltou à mesa e, muito tagarela, Concita perguntou-lhe sobre o estado civil, tendo Pafúncio afirmado-lhe ser casado. Em tom solene, a mulher o encarou e fitando-lhe com olhos castanhos penetrantes, disse-lhe:

- “Vá pra casa. Vá ficar junto da sua mulher que lhe está esperando. De que adianta ficar comigo? Sou uma prostituta. Sou apenas uma buceta. Sua mulher não merece ser traída”.

Ato contínuo, Concita levantou-se e meio cambaleante, saiu, desaparecendo  nas ladeiras que acessam à praia Grande. Aquelas palavras ficaram martelando na cabeça do delegado Pafúncio, que teve uma crise de consciência. Um grande sentimento de culpa. Pagou a despesa, levantou-se e foi para casa. Se dirigiu à cozinha, onde Dona Marieta, sua mulher, fazia um bolo e deu-lhe um beijo na cabeça. Ela perguntou-lhe, carinhosamente:

- “Onde estavas, meu velho” ?

- “Ali no boteco do Zé, tomando uma cervejinha”, respondeu.

Pafúncio tomou um longo banho, vestiu um pijama de seda azul cobalto e foi assistir televisão. Dona Marieta o chamou para o jantar. Depois da refeição voltou à sala e ficou assistindo o jornal televisivo. Deu a hora de deitar. Refastelou-se na macia cama e ficou observando, cheio de pensamentos pecaminosos, Dona Marieta, que já trajando uma transparente camisola cor de rosa, rezava o terço.
Findada a oração, Marieta deitou-se. Pafúncio  se chegou para bem próximo e apalpou-lhe a peluda genitália, convidando-a para o sexo. Marieta deu-lhe uma palmada na mão saliente e disse-lhe:

- Te sossega. Já estou velha para isso. Vai procurar mulher na rua.

Pafúncio virou-se e  resmungou:

- “Entenda as mulheres”.

Dormiu, maldizendo as palavras de Concita.


O COMILÃO

Outubro 5, 2007

O delegado Pafúncio nunca foi um homem do tipo “barriga branca”, mas muito cauteloso nas suas incursões pelo mundo da infidelidade. Não tinha muita habilidade como adúltero. Todas as vezes em que se envolvia com alguma relação extra-conjugal, Dona Marieta, sua esposa, logo ficava sabendo que tinha alguém na sua vida. É que ele mudava de comportamento. Dava bandeira.

Certa ocasião, foi transferida para sua delegacia uma escrivã muito bonita, sensual. Tinha boa altura e pernas bem torneadas com coxas grossas e um bumbum avantajado, durinho e arrebitado. Era uma mulata do tipo exportação e também muito provocante, que logo passou a investir pra cima do delegado.

Tinha um andar bamboleante e quando notava que estava sendo observada pelo delegado Pafúncio, aí mesmo era que balançava o rabo. O delegado ficava embasbacado, olhando aquele monumento de mulher que estava dando mole para ele. Certa ocasião, a escrivã Maria foi trabalhar com um vestido bem colado, que mais parecia um tipiti, e com um decote muito extravagante.

Abusada, ele foi levar um auto de prisão em flagrante para o delegado assinar e debruçou-se diante da autoridade, deixando os belos seios à mostra. Foi a gota d´água.
O doutor Pafúncio convidou a escrivã Maria para almoçar em sua companhia, ao que ela prontamente aquiesceu. Fim do expediente matutino, e lá foram os dois para o restaurante Porto Seguro, na beirada do Desterro, onde consumiram uma boa peixada. Daí então, saíram sucessivamente para almoçar, jantar e nas sextas-feiras se faziam presentes na sede do Maranhão Atlético, para dançar boleros nas tertúlias animadas pelo vozeirão do Walber.

Logo se tornaram amantes, e, todas as noites, o delegado Pafúncio, antes de ir para casa, dava uma passadinha no apartamento de Maria. Vez por outra dava uma “trepadinha” e ia embora. Em outras ocasiões, dizia para Dona Marieta que ia fazer uma diligência no interior e passava o fim de semana com a amada Maria.

Nesta convivência diária, alguns segredos foram liberados, entre e os quais, Pafúncio falou que não fazia amor com o estômago cheio. Envolvida, Maria queria Pafúncio só para ela, e então não o deixou sair mais, sem jantar. Todas as noites aprontava-lhe lautos jantares.

Empanturrava Pafúncio com as comidas que sabia que ele mais gostava.
Isto fez com que Pafúncio passasse a rejeitar a comida de casa, e todas as vezes que Marieta investia para dar uma “trepada”, Pafúncio a rejeitava, alegando estar sentindo-se mal, etc. A mulher passou a observá-lo melhor e notou que Pafúncio já chegava com a barriga cheia. Então, passou a exigir que o mesmo jantasse. Todo dia era uma confusão. E ele, então, passou a jantar também em casa.

A comida era tanta, nas duas casas, que o delegado Pafúncio foi engordando cada vez mais e logo passou a sentir tonturas e outros tipos de mal estar, o que o forçou a procurar um médico. Os exames acusaram pressão alta, colesterol também pelas alturas e até a glicemia estava alterada, sendo aconselhado pelo facultativo, a fazer dieta. Chegou no apartamento de Maria e falou do problema, mas esta não concordou com a dieta, e exigia que ele comesse, embora passasse a fazer comidas mais leves de gordura. Embora Pafúncio não quisesse comer, ela com seu jeitinho carinhoso e sorriso brejeiro, sempre o convencia a comer. Em casa, Dona Marieta também não abriu mão. Pafúncio tinha que comer sempre que chegava. Os índices de colesterol e glicemia não baixavam.

Um dia, o delegado Pafúncio desmaiou na delegacia e foi levado para o hospital. Passou três dias desacordado. Quando voltou a si, o médico disse-lhe que havia sofrido um enfarte e que tinha que fazer uma rigorosa dieta, caso contrário fatalmente iria morrer. Ao voltar ao trabalho, a primeira medida do delegado Pafúncio, foi passar a pronto a escrivã Maria e nunca mais pisou no seu apartamento.