O delegado Pafúncio nunca foi um homem do tipo “barriga branca”, mas muito cauteloso nas suas incursões pelo mundo da infidelidade. Não tinha muita habilidade como adúltero. Todas as vezes em que se envolvia com alguma relação extra-conjugal, Dona Marieta, sua esposa, logo ficava sabendo que tinha alguém na sua vida. É que ele mudava de comportamento. Dava bandeira.
Certa ocasião, foi transferida para sua delegacia uma escrivã muito bonita, sensual. Tinha boa altura e pernas bem torneadas com coxas grossas e um bumbum avantajado, durinho e arrebitado. Era uma mulata do tipo exportação e também muito provocante, que logo passou a investir pra cima do delegado.
Tinha um andar bamboleante e quando notava que estava sendo observada pelo delegado Pafúncio, aí mesmo era que balançava o rabo. O delegado ficava embasbacado, olhando aquele monumento de mulher que estava dando mole para ele. Certa ocasião, a escrivã Maria foi trabalhar com um vestido bem colado, que mais parecia um tipiti, e com um decote muito extravagante.
Abusada, ele foi levar um auto de prisão em flagrante para o delegado assinar e debruçou-se diante da autoridade, deixando os belos seios à mostra. Foi a gota d´água.
O doutor Pafúncio convidou a escrivã Maria para almoçar em sua companhia, ao que ela prontamente aquiesceu. Fim do expediente matutino, e lá foram os dois para o restaurante Porto Seguro, na beirada do Desterro, onde consumiram uma boa peixada. Daí então, saíram sucessivamente para almoçar, jantar e nas sextas-feiras se faziam presentes na sede do Maranhão Atlético, para dançar boleros nas tertúlias animadas pelo vozeirão do Walber.
Logo se tornaram amantes, e, todas as noites, o delegado Pafúncio, antes de ir para casa, dava uma passadinha no apartamento de Maria. Vez por outra dava uma “trepadinha” e ia embora. Em outras ocasiões, dizia para Dona Marieta que ia fazer uma diligência no interior e passava o fim de semana com a amada Maria.
Nesta convivência diária, alguns segredos foram liberados, entre e os quais, Pafúncio falou que não fazia amor com o estômago cheio. Envolvida, Maria queria Pafúncio só para ela, e então não o deixou sair mais, sem jantar. Todas as noites aprontava-lhe lautos jantares.
Empanturrava Pafúncio com as comidas que sabia que ele mais gostava.
Isto fez com que Pafúncio passasse a rejeitar a comida de casa, e todas as vezes que Marieta investia para dar uma “trepada”, Pafúncio a rejeitava, alegando estar sentindo-se mal, etc. A mulher passou a observá-lo melhor e notou que Pafúncio já chegava com a barriga cheia. Então, passou a exigir que o mesmo jantasse. Todo dia era uma confusão. E ele, então, passou a jantar também em casa.
A comida era tanta, nas duas casas, que o delegado Pafúncio foi engordando cada vez mais e logo passou a sentir tonturas e outros tipos de mal estar, o que o forçou a procurar um médico. Os exames acusaram pressão alta, colesterol também pelas alturas e até a glicemia estava alterada, sendo aconselhado pelo facultativo, a fazer dieta. Chegou no apartamento de Maria e falou do problema, mas esta não concordou com a dieta, e exigia que ele comesse, embora passasse a fazer comidas mais leves de gordura. Embora Pafúncio não quisesse comer, ela com seu jeitinho carinhoso e sorriso brejeiro, sempre o convencia a comer. Em casa, Dona Marieta também não abriu mão. Pafúncio tinha que comer sempre que chegava. Os índices de colesterol e glicemia não baixavam.
Um dia, o delegado Pafúncio desmaiou na delegacia e foi levado para o hospital. Passou três dias desacordado. Quando voltou a si, o médico disse-lhe que havia sofrido um enfarte e que tinha que fazer uma rigorosa dieta, caso contrário fatalmente iria morrer. Ao voltar ao trabalho, a primeira medida do delegado Pafúncio, foi passar a pronto a escrivã Maria e nunca mais pisou no seu apartamento.
Julho 14, 2008 ás 10:58 pm
Douglas…. Adorei o seu blog, dei uma lida em uma de suas Crônicas! “O Comilão”
Confesso que o Título foi mais chamativo do que a vontade de procurar o melhor!
Mesmo assim, adorei a forma como retrata uma simples crônica com palavras fáceis….
Uma típica historia de casais de amantes!
Pensei que ao final da história as Mulheres encontrariam-se no hospital…
Imaginei que Dona Maria fosse Matar o seu marido e ali mesmo deixa-lo.
Não seria por mal!
Abraços, meu Amigo!
Até Mais ver!…